A primeira guitarra de jazz
No final do século XIX, o luthier americano Orville Gibson criou a primeira guitarra archtop em Kalamazoo, Michigan. As archtops são guitarras com cordas de metal e geralmente com corpo maior que o do violão. Possuem uma ponte ajustável, orifícios em formato de F e o tampo dela é arqueado, daí o nome. Assemelha-se ao visual de um violino.
Archtop no jazz
Antes das archtops, o mais comum era utilizar o banjo como instrumento de acompanhamento nas agrupações de jazz, devido à sua projeção sonora maior que a do violão e também por ser mais fácil de transportar do que um piano. Mas, após a invenção da guitarra archtop, ela passa a substituir o banjo como instrumento de acompanhamento e, com guitarristas como Eddie Lang, ela também começa a ter um pouco de destaque como instrumento solista. Embora ela não pudesse ser tocada como solista em agrupações muito grandes e com muitos instrumentos, pois seu som tinha um volume muito baixo para destacar fazendo melodias.
Captadores
Quando pensamos em guitarras, uma das primeiras coisas que vem na nossa cabeça são os captadores, a alma da guitarra. Eles transformam as vibrações das cordas em sinais elétricos enviados ao amplificador. No entanto, as primeiras guitarras de jazz eram totalmente acústicas, até que em 1923 o músico e engenheiro acústico americano Lloyd Loar criou os primeiros captadores.
Guitarra solista
Essa invenção permitiu que a guitarra passasse a ter grande destaque como instrumento solista. Antes da invenção do captador, a guitarra era utilizada quase exclusivamente como instrumento de acompanhamento por não ter uma projeção suficientemente alta como para cortar através do som de uma banda grande com metais e saxofones. Com a amplificação, aparecem guitarristas como Charlie Christian que tiram a guitarra dessa função de instrumento acompanhante e trazem-na para o primeiro plano como instrumento solista.
Depois de Charlie Christian, surgem outros grandes guitarristas na cena do jazz, como Wes Montgomery, Joe Pass, Jim Hall, entre outros que revolucionaram o instrumento e influenciaram todas as gerações de guitarristas que vieram após eles. Todos eles utilizavam guitarras archtop acústicas com captadores. Isso faz com que o som desse tipo de guitarra seja associado, historicamente, ao jazz, blues e subgêneros desses estilos ou gêneros derivados deles. É o que conhecemos hoje em dia como “o timbre das guitarras de jazz”.
Microfonia e a solução das guitarras semiacústicas
Um problema das guitarras acústicas amplificadas era que, ao aumentar muito o volume do amplificador, causava microfonia. Para resolver este problema, Gibson criou um modelo que misturava a característica acústica das guitarras archtop com a sustentação de uma guitarra de corpo sólido e assim nascem as semiacústicas.
As semiacústicas possuem uma caixa de propagação, mais fina do que as acústicas, com uma peça de madeira interna que se estende do braço ao fim do corpo. Desta forma, temos um instrumento que não apresenta problemas de microfonia e mantém as características de uma guitarra acústica de jazz. É por essa razão que guitarristas de jazz preferem esse tipo de guitarra. Mas isso não quer dizer que as de corpo sólido não possam ser utilizadas no jazz. Grandes guitarristas como Mike Stern ou Ed Bickert têm utilizado guitarras de corpo sólido neste gênero.
Afinal, é uma escolha timbrística! Da mesma forma que muitos preferem utilizar uma Stratocaster para tocar rock clássico, muitos vão preferir uma semiacústica para tocar jazz.
Autor: Christian Viatour

